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Aluguel de Carro na Espanha: Guia Completo para Brasileiros

Veja o que aprendi ao alugar um carro para viajar com minha família e por que a opção mais cara acabou sendo a mais barata.

Aluguel de carro na Espanha pode ser uma excelente opção para quem deseja viajar com mais liberdade, conhecer cidades menores e montar um roteiro sem depender exclusivamente de trens, ônibus ou outros meios de transporte.

No entanto, existe um detalhe que muita gente só percebe depois de começar a pesquisar: o preço da diária é apenas uma parte do custo do aluguel.

Além disso, caução, franquia, seguro, limite do cartão de crédito, quilometragem, combustível, motorista adicional e até a possibilidade de atravessar a fronteira para outro país podem mudar completamente o valor final da reserva.

Eu moro na Espanha e, recentemente, passei por todo esse processo enquanto pesquisava um carro para viajar com minha família. A princípio, encontrei uma oferta que parecia excelente: aproximadamente €146 por vários dias de aluguel.

Porém, quando comecei a ler as condições com atenção, descobri uma série de detalhes que me fizeram mudar de ideia — e até escolher uma opção mais cara.

Por isso, neste guia vou compartilhar o que aprendi durante essa pesquisa e mostrar os principais pontos que eu verificaria antes de alugar um carro na Espanha.

Antes de entrar nos documentos, seguros, caução e outros custos, porém, existe uma pergunta importante: afinal, vale a pena alugar um carro na Espanha?

Vale a pena alugar carro na Espanha?

Depende bastante do seu roteiro. Em primeiro lugar, é importante considerar que a Espanha possui uma excelente rede de transporte público. Por isso, em viagens concentradas em grandes cidades como Madri, Barcelona, Valência e Zaragoza, ter um carro nem sempre é necessário.

Por outro lado, o aluguel pode fazer muito sentido quando o objetivo é conhecer pequenas cidades, vilarejos, praias, regiões rurais ou fazer uma viagem de carro com várias paradas.

Além disso, para uma família ou grupo, vale comparar o custo total das passagens de trem ou ônibus com o valor final do aluguel do veículo.

Nesse caso, porém, existe uma palavra especialmente importante: final.

Ou seja, não compare apenas o preço da diária. Antes de decidir se vale a pena alugar um carro na Espanha, considere também combustível, estacionamento, pedágios quando aplicáveis, seguro, possíveis extras, quilometragem e as condições da locadora.

Foi justamente ao fazer essa conta que percebi que o carro aparentemente mais barato da minha pesquisa não era necessariamente a opção que fazia mais sentido para a minha viagem.

Portanto, se depois dessa comparação o aluguel fizer sentido para o seu roteiro, o próximo passo é entender quais são os requisitos para retirar o veículo. Afinal, o que é preciso para alugar um carro na Espanha?

O que é preciso para alugar um carro na Espanha?

Os requisitos para o aluguel de carro na Espanha podem variar de acordo com a locadora, a categoria do veículo e a situação do motorista. Por isso, é importante verificar as condições específicas da empresa antes de fazer a reserva.

Além disso, é preciso separar duas questões diferentes: as exigências estabelecidas pela locadora e os documentos necessários para dirigir legalmente na Espanha.

Para um brasileiro, essa diferença é importante. Afinal, um documento pode ser válido para dirigir no país e, ainda assim, determinada locadora pode estabelecer requisitos adicionais para entregar o veículo.

Por esse motivo, antes de comparar apenas preços e modelos, vale começar pela documentação necessária.

Documentos Necessários

Antes da viagem, verifique principalmente sua habilitação, seu documento de identificação e as exigências específicas da empresa responsável pelo aluguel.

A Espanha e o Brasil possuem acordo sobre reconhecimento recíproco das carteiras de habilitação. No entanto, para brasileiros que vivem na Espanha, existem regras específicas relacionadas ao período de validade da habilitação estrangeira e ao posterior canje da carteira.

Já para turistas, vale verificar a situação da CNH antes da viagem e, além disso, confirmar diretamente com a locadora quais documentos serão exigidos no momento da retirada.

Além da habilitação, um viajante internacional pode precisar apresentar o passaporte. Algumas locadoras também estabelecem idade mínima, tempo mínimo de habilitação e requisitos próprios de identificação.

Por isso, minha recomendação é simples: antes de pagar, abra a seção de “requisitos do motorista” ou “condições de aluguel” da empresa escolhida e confira exatamente quais documentos deverão ser apresentados na retirada.

Entre esses documentos, porém, existe um que merece atenção especial: a Permissão Internacional para Dirigir.

Preciso da Permissão Internacional para Dirigir (PID) na Espanha?

No meu caso, a locadora solicitou a minha Permissão Internacional para Dirigir (PID), mesmo com uma CNH brasileira emitida em 2025. Por isso, depois dessa experiência, eu prefiro viajar com a PID em vez de correr o risco de descobrir uma exigência adicional somente no balcão.

No entanto, a minha experiência com uma locadora não significa que todas as empresas façam a mesma exigência. Portanto, antes da viagem, consulte também as orientações atualizadas da “Dirección General de Tráfico” (DGT) e confirme as condições da locadora escolhida.

Outro detalhe importante é a validade. A PID brasileira pode ter validade de até três anos, mas esse prazo também fica limitado pela validade da própria CNH. Ou seja, se a CNH vencer antes, a PID não continuará válida além dela.

No meu caso, por exemplo, minha CNH vence em 2035. Por isso, a PID poderá atingir seu prazo máximo de três anos. Se minha CNH vencesse daqui a apenas um ano, porém, a validade da PID também ficaria limitada a esse período.

Por esse motivo, eu verificaria a validade dos dois documentos antes da viagem e não deixaria essa questão para resolver somente na retirada do veículo.

[Orientações oficiais da DGT para dirigir na Espanha]

Com a documentação conferida, existe ainda outro ponto que merece atenção antes da reserva: o cartão que será apresentado à locadora.

Cartão de crédito em nome do motorista

Esse é um dos pontos que mais merecem atenção. Durante minha pesquisa, por exemplo, encontrei uma oferta que exigia uma caução de €1.200. Para retirar o veículo, seria necessário apresentar um cartão aceito pela locadora e com limite suficiente para a pré-autorização.

Além disso, nas condições daquela oferta, cartão de débito e dinheiro não eram aceitos para essa caução. Portanto, imagine chegar à Espanha com a reserva paga e descobrir, somente no balcão, que o cartão que você levou não atende às condições para retirar o veículo.

Por isso, antes de reservar, verifique:

  • quais tipos e bandeiras de cartão são aceitos;
  • se cartão de débito é permitido;
  • se o cartão precisa estar em nome do motorista principal.

No entanto, não existe uma única regra aplicável a todas as locadoras espanholas. Algumas empresas e tarifas podem aceitar débito em determinadas condições, enquanto outras exigem cartão de crédito.

Por isso, conferir apenas se você possui um cartão não é suficiente. Existe ainda outra questão fundamental: quanto a locadora poderá bloquear nele.

Limite do cartão e bloqueio da caução

Antes de reservar, verifique também qual valor poderá ser bloqueado e se existem outras pré-autorizações além da caução do veículo.

No meu caso, por exemplo, a própria confirmação da reserva orientava levar um cartão de crédito em nome do titular e com limite suficiente para uma eventual caução.

Porém, existe um detalhe importante: o valor bloqueado no cartão não deve ser confundido automaticamente com a franquia do seguro.

No meu caso, essa diferença ficou ainda mais clara. Como escolhi uma tarifa com cobertura completa e franquia zero, eu não teria a franquia prevista na tarifa básica. Mesmo assim, a locadora fez uma pré-autorização de €200 no meu cartão de crédito brasileiro.

Portanto, ter uma tarifa sem franquia não significou sair da locadora sem nenhum valor temporariamente comprometido no cartão.

E foi justamente aí que entendi, na prática, para que servia aquele bloqueio.

Por que a locadora bloqueou €200 no meu cartão?

No momento da retirada, os €200 corresponderam a aproximadamente R$ 1.275 no meu cartão brasileiro. Segundo o funcionário da locadora, esse valor serviria como garantia para situações como devolver o veículo sem o nível de combustível exigido ou ultrapassar a quilometragem contratada.

No meu caso, por exemplo, a tarifa permitia 200 km por dia, com um limite total de 1.400 km.

Durante a viagem, saí de Zaragoza, fui até San Sebastián, depois segui para Bilbao e, finalmente, retornei. Ao todo, devolvi o veículo com aproximadamente 600 km percorridos, portanto bem abaixo do limite contratado.

Além disso, entreguei o carro conforme as condições previstas. Por isso, não houve cobrança relacionada a esses itens e a pré-autorização foi liberada posteriormente.

No vídeo abaixo, mostro como esse bloqueio apareceu no meu cartão e o que aconteceu depois da devolução do veículo.

[VÍDEO QUE SERÁ PUBLICADO EM BREVE NO CANAL DO BORA HABLAR ESPANHOL NO YOUTUBE]

Essa experiência ajuda a entender uma diferença fundamental no aluguel de carro na Espanha: um bloqueio no cartão pode existir mesmo quando a tarifa contratada informa franquia zero.

Caução e franquia não são a mesma coisa

Em outras palavras, caução — ou “fianza”, em espanhol — e franquia — “franquicia” — são conceitos diferentes.

A caução está relacionada a uma garantia que pode ser bloqueada temporariamente no cartão. Já a franquia corresponde ao valor pelo qual o cliente pode ser responsável em determinadas situações cobertas pelo contrato.

Por isso, embora os valores possam até coincidir em algumas reservas, eles não representam necessariamente a mesma coisa.

Mais adiante, veremos essa diferença em detalhes, inclusive por que “franquia zero” não significa automaticamente “caução zero”.

Antes disso, porém, precisamos entender por que olhar apenas para o preço da diária pode fazer uma oferta parecer mais vantajosa do que realmente é.

Não escolha o carro apenas pelo preço da diária

Quando comecei a pesquisar um carro para viajar com minha família pela Espanha, encontrei uma oferta que, à primeira vista, parecia excelente: um Renault Captur automático e híbrido, ou similar, por aproximadamente €145,91 para vários dias de aluguel.

A princípio, pensei que tinha encontrado um ótimo negócio. No entanto, antes de reservar, comecei a ler as condições da tarifa. Foi justamente aí que percebi que comparar apenas o preço da diária pode ser um grande erro.

Isso acontece porque o valor anunciado é somente o ponto de partida. Dependendo da tarifa, por exemplo, podem existir caução, franquia, seguro adicional, quilometragem limitada, taxas para atravessar fronteiras, motorista adicional e outros extras.

Por isso, antes de escolher o aluguel aparentemente mais barato, tente descobrir quanto aquela reserva realmente poderá custar durante toda a viagem. Além disso, considere qual será sua exposição financeira caso aconteça algum imprevisto.

Portanto, para fazer uma comparação mais justa, o primeiro passo é deixar de olhar apenas para a diária e calcular o preço final do aluguel.

Compare o preço final do aluguel

Na minha pesquisa, por exemplo, a opção de aproximadamente €145,91 tinha uma franquia de €1.200 e também exigia uma caução de €1.200 no cartão.

Além disso, a cobertura básica tinha exclusões importantes. Por outro lado, a plataforma oferecia uma proteção Premium adicional por aproximadamente €61,02, que ampliava a proteção para determinadas situações.

A conta, portanto, já não era apenas €145,91:

€145,91 + €61,02 = €206,93.

Mesmo assim, a oferta ainda parecia interessante. Porém, havia outro detalhe importante: aquela proteção adicional funcionava principalmente por reembolso.

Na prática, dependendo do problema, eu poderia ter que pagar primeiro à locadora e, posteriormente, solicitar o reembolso. Para isso, ainda seria necessário apresentar a documentação exigida e respeitar as condições da apólice.

Foi então que percebi que, para comparar duas ofertas corretamente, precisava colocar lado a lado muito mais do que o preço:

preço do aluguel + caução + franquia + tipo de seguro + quilometragem + combustível + motorista adicional + assistência + extras + possíveis taxas.

Em outras palavras, essa comparação é muito mais útil do que simplesmente perguntar: “Qual carro tem a menor diária?”

Além disso, existe outra comparação que vale a pena fazer: intermediário ou locadora direta?

Locadora direta ou site intermediário?

Depois de encontrar a oferta pelo intermediário, resolvi entrar diretamente no site da empresa que realmente forneceria o veículo. Então, encontrei outra tarifa. Ela era mais cara, porém as condições também eram diferentes.

No momento em que fiz minha reserva, a tarifa ClickFull que escolhi informava franquia de €0, cobertura para rodas e vidros, assistência em estrada e outros benefícios previstos naquela modalidade.

O valor que paguei foi de €266,67 por nove dias, ou aproximadamente €29,63 por dia.

Portanto, a comparação ficou assim:

Intermediário + proteção adicional: €206,93
Locadora direta com a tarifa escolhida: €266,67
Diferença: €59,74
Diferença por dia: aproximadamente €6,64

Ainda assim, isso não significa que reservar diretamente com uma locadora será sempre melhor ou mais barato. Da mesma forma, não significa que utilizar um intermediário seja uma escolha ruim.

A lição que tirei dessa experiência foi outra: compare os dois.

Primeiro, faça a pesquisa no comparador. Depois, ao descobrir qual empresa fornecerá o carro, faça uma simulação diretamente no site da locadora usando as mesmas datas, horários e uma categoria semelhante.

Só então compare as condições. Afinal, duas ofertas que parecem semelhantes podem incluir níveis de cobertura, franquias e cauções completamente diferentes.

E são justamente esses dois últimos pontos que costumam causar muita confusão. Por isso, antes de falar mais sobre seguros, precisamos entender claramente a diferença entre caução e franquia no aluguel de carro na Espanha.

Caução e franquia no aluguel de carro na Espanha

Até aqui, vimos que caução e franquia podem afetar o aluguel de maneiras diferentes. No entanto, como esses dois valores muitas vezes aparecem juntos nas condições da reserva, é fácil confundi-los.

Na primeira oferta que analisei, por exemplo, a caução era de €1.200 e a franquia também era de €1.200. Apesar de os valores serem idênticos, eles não representavam a mesma coisa.

Caução e franquia são a mesma coisa?

Não. De forma simplificada, a caução — fianza ou depósito de seguridad — é uma garantia que pode resultar em um bloqueio temporário no cartão, conforme as condições da locadora.

Já a franquia — franquicia — está relacionada à responsabilidade financeira do cliente em determinadas situações previstas pela cobertura contratada.

Além disso, a franquia informada não deve ser interpretada automaticamente como o valor máximo que poderá ser cobrado em qualquer circunstância. Afinal, o contrato pode prever exclusões, danos não cobertos e outras cobranças.

Na oferta que analisei, por exemplo, a cobertura básica apresentava exclusões relacionadas a determinados danos em vidros, pneus, rodas, parte inferior do veículo e interior.

Por isso, além de comparar os valores, é fundamental verificar o que realmente está ou não coberto.

Franquia zero não significa caução zero

Essa diferença ficou ainda mais clara na minha própria reserva. Embora a tarifa escolhida informasse “Cobertura Franquicia 0€”, como expliquei anteriormente, ainda houve uma pré-autorização de €200 no meu cartão.

Portanto, franquia zero não significa necessariamente ausência de caução ou de outros bloqueios.

Antes de reservar, procure separadamente por termos como fianza, depósito de seguridad, preautorización, bloqueo en la tarjeta e franquicia.

Além disso, se alguma condição não estiver clara, confirme diretamente com a locadora. Uma pergunta útil em espanhol é:

“He contratado una tarifa sin franquicia. ¿Aun así van a bloquear alguna fianza o depósito en mi tarjeta?”

“Contratei uma tarifa sem franquia. Mesmo assim vocês vão bloquear alguma caução ou depósito no meu cartão?”

Para aprofundar esse assunto, veja nosso guia sobre caução e franquia no aluguel de carro na Espanha.

[LINK INTERNO: Caução e Franquia no Aluguel de Carro na Espanha: Entenda Antes de Reservar]

Como funciona o seguro do aluguel de carro na Espanha?

O seguro é um dos pontos que mais merecem atenção na hora de alugar um carro na Espanha.

Durante minha pesquisa, percebi que não basta verificar se a reserva informa que existe um “seguro incluído”. Na prática, é preciso entender exatamente o que está coberto, qual é a franquia, quais são as exclusões e o que acontece caso ocorra algum dano.

Além disso, duas tarifas para um veículo da mesma categoria podem ter preços muito diferentes justamente porque oferecem níveis de proteção distintos.

Por isso, antes de reservar, procure responder a algumas perguntas:

  • Qual é o valor da franquia?
  • Quais danos estão cobertos?
  • Pneus, rodas e vidros estão incluídos?
  • Existe cobertura para reboque e assistência?
  • Quais situações estão excluídas?
  • A proteção reduz a franquia diretamente com a locadora ou funciona por reembolso?

Em outras palavras, encontrar a palavra “seguro” na página da reserva não é suficiente. Primeiro, precisamos entender o que a cobertura básica realmente oferece.

Cobertura básica

Na primeira oferta que analisei, por exemplo, havia uma cobertura básica para determinados danos à carroceria e também proteção contra roubo, ambas sujeitas às condições da reserva.

No entanto, o problema apareceu quando comecei a ler as exclusões.

Determinados danos envolvendo pneus, rodas, vidros, parte inferior do veículo e interior, entre outras situações previstas nas condições, não estavam incluídos da mesma maneira.

Foi então que percebi algo importante: saber apenas o valor da franquia não é suficiente.

Se aparecer “franquia de €1.200”, por exemplo, a pergunta seguinte deveria ser:

“€1.200 de franquia para quais danos?”

Portanto, leia as condições da tarifa e descubra não apenas o que está coberto, mas, principalmente, o que está excluído.

No meu caso, depois de entender essas limitações da cobertura básica, resolvi comparar o que a própria locadora oferecia em uma tarifa com proteção mais ampla.

Seguro da locadora

Depois de analisar a primeira oferta, consultei diretamente o site da empresa que forneceria o carro.

Nesse caso, encontrei uma tarifa mais cara. Por outro lado, ela anunciava condições de proteção diferentes.

Na tarifa ClickFull que escolhi, por exemplo, a reserva informava franquia de €0, cobertura para rodas e vidros, assistência em estrada e outros benefícios previstos naquela modalidade.

Por isso, essa opção pesou na minha decisão. Eu preferi contratar uma proteção mais ampla diretamente com a empresa responsável pelo veículo.

Ainda assim, como vimos anteriormente, “franquia zero” não significa que absolutamente qualquer dano ou situação estará coberto.

Continuam existindo termos, condições e exclusões. Por exemplo, situações como negligência, uso inadequado do veículo, combustível incorreto, condução por pessoa não autorizada ou descumprimento do contrato podem gerar cobranças conforme as condições da locadora.

Portanto, mesmo contratando uma tarifa com proteção maior, eu continuaria lendo as condições e registrando o estado do veículo tanto na retirada quanto na devolução.

Porém, contratar a proteção diretamente com a locadora não era minha única alternativa. Na oferta do intermediário, havia outra possibilidade: contratar uma proteção adicional que funcionava principalmente por reembolso.

Seguro por reembolso

Na oferta que encontrei por meio de uma plataforma intermediária, também havia a possibilidade de contratar uma proteção Premium adicional por aproximadamente €61,02.

Nesse caso, a proteção previa reembolso para várias situações que não apareciam da mesma forma na cobertura básica.

No entanto, havia uma palavra fundamental: reembolso.

Na prática, em determinadas situações, isso pode significar que a locadora faça uma cobrança e você tenha que pagar primeiro. Depois, será necessário solicitar o reembolso à empresa responsável pela proteção, apresentar a documentação exigida e cumprir as condições da apólice.

Por outro lado, uma proteção contratada diretamente com a locadora pode reduzir ou eliminar a franquia perante ela para determinados danos cobertos, dependendo das condições contratadas.

Isso não significa, porém, que uma cobertura por reembolso seja necessariamente ruim. Dependendo do preço, das condições e do perfil do viajante, ela pode fazer sentido.

Por isso, o importante é entender como o processo funciona antes de comprar.

Antes da reserva, por exemplo, eu faria esta pergunta:

“Se acontecer um dano coberto, a locadora deixa de me cobrar ou eu pago primeiro e depois solicito o reembolso?”

Afinal, essa resposta pode mudar completamente a comparação entre duas ofertas.

Para aprofundar essa diferença, veja nosso guia específico sobre seguro para carro alugado na Espanha, no qual explicamos franquia zero e proteção por reembolso.

[LINK INTERNO FUTURO: Seguro para Carro Alugado na Espanha: Franquia Zero ou Seguro por Reembolso?]

Além do seguro, porém, existe outro detalhe capaz de transformar uma tarifa aparentemente barata em uma conta muito maior: o limite de quilômetros.

Quilometragem limitada ou ilimitada

Outro detalhe que merece atenção no aluguel de carro na Espanha é a quilometragem.

Em primeiro lugar, nunca presuma que você poderá rodar quilômetros ilimitados apenas porque alugou o veículo por vários dias.

Na oferta que analisei, por exemplo, a condição era de 200 km por dia, com limite total de 1.400 km durante o período previsto naquela reserva. Além disso, cada quilômetro excedente custava €0,50.

À primeira vista, pode parecer pouco. No entanto, faça a conta.

Se você ultrapassar o limite em 300 km:

300 × €0,50 = €150.

Ou seja, dependendo do valor da reserva, alguns quilômetros extras podem representar um custo significativo em relação ao próprio aluguel.

Por isso, esse detalhe é especialmente importante se você estiver planejando uma road trip pela Espanha ou pretende visitar várias cidades.

Antes de reservar, verifique:

  • se a quilometragem é limitada ou ilimitada;
  • quantos quilômetros estão incluídos por dia ou no período total;
  • quanto custa cada quilômetro excedente;
  • se existe alguma condição específica para a tarifa escolhida.

Se houver limite, portanto, monte aproximadamente seu roteiro antes da reserva e calcule a distância total prevista. Além disso, acrescente uma margem para deslocamentos que não estavam no planejamento inicial.

Porém, ao montar um roteiro de carro pela Espanha, a distância não é a única questão. Se o trajeto incluir outro país, será necessário verificar também se a locadora permite atravessar a fronteira com o veículo.

Posso sair da Espanha com um carro alugado?

Em alguns casos, sim. No entanto, não presuma que alugar um carro na Espanha significa automaticamente poder dirigir com ele por qualquer país europeu.

Isso acontece porque a possibilidade de atravessar uma fronteira depende das condições da locadora, da tarifa contratada, do veículo e dos países envolvidos.

Além disso, essa questão é particularmente importante na Espanha, já que Portugal, França e Andorra podem facilmente fazer parte de um roteiro de carro.

Por isso, antes de cruzar qualquer fronteira, verifique se o contrato permite a viagem e se é necessário informar ou solicitar autorização à locadora.

Primeiro, vamos considerar três destinos bastante comuns para quem pretende combinar a Espanha com países vizinhos.

Viagens para Portugal, França e Andorra

Na oferta que analisei, por exemplo, era permitido entrar em determinados países, incluindo França, Portugal e Andorra, desde que fossem respeitadas as condições estabelecidas pela locadora.

Dependendo do roteiro, isso pode ser muito relevante. Imagine, por exemplo, estar em San Sebastián e decidir fazer um passeio até Biarritz, na França. Geograficamente, é muito simples.

Contratualmente, porém, a situação é diferente. Antes de seguir viagem, você precisa saber se o carro pode atravessar aquela fronteira.

Da mesma forma, esse cuidado vale para quem pretende sair da Espanha em direção a Portugal ou Andorra.

Portanto, não use a lógica: “Estou na Europa, então posso dirigir o carro alugado para qualquer país.” Primeiro, confira o contrato.

Além da permissão para atravessar a fronteira, porém, existe outro detalhe que pode afetar diretamente o preço da viagem: a cobrança de uma taxa específica.

Taxas e autorização para cruzar fronteiras

Além da autorização, pode existir uma taxa para utilizar o veículo fora da Espanha.

Na oferta específica que analisei, por exemplo, havia uma cobrança de €19,99 por dia para determinadas viagens internacionais.

Porém, somente no momento da retirada entendi melhor como essa cobrança seria aplicada no meu caso. O atendente explicou que, se eu cruzasse a fronteira, a taxa seria calculada sobre os nove dias da minha reserva — e não apenas sobre o dia em que eu entrasse em outro país.

Portanto, a conta seria:

€19,99 × 9 dias = €179,91

Ou seja, mesmo que eu saísse de San Sebastián e entrasse na França de carro apenas uma vez, o custo adicional informado seria de €179,91.

No entanto, esse valor e essa forma de cobrança não são uma regra geral das locadoras espanholas. Afinal, eram condições aplicáveis à minha reserva, e outras empresas ou tarifas podem estabelecer critérios diferentes.

Por isso, além de verificar o preço, existe outra questão fundamental: entender exatamente quais autorizações e condições se aplicam à viagem internacional.

Autorização para dirigir fora da Espanha

Antes de reservar, procure nas condições da locadora termos como Cross-border, Cruce de fronteras, Viajes al extranjero e Conducción fuera de España.

Em seguida, confirme:

  • quais países são permitidos;
  • se é necessária autorização prévia;
  • quanto custa;
  • como a taxa é calculada;
  • se existem restrições de cobertura ou assistência fora da Espanha.

Além disso, não atravesse uma fronteira sem verificar as condições contratuais. Caso ocorra um acidente ou outro imprevisto, o descumprimento dessas regras poderá ter consequências previstas no contrato.

Portanto, se outro país fizer parte do seu roteiro, esclareça essas condições antes de retirar o veículo.

No meu caso, entender isso foi especialmente importante porque uma simples entrada na França poderia representar €179,91 adicionais naquela reserva.

E, depois de definir onde você poderá dirigir e quanto isso poderá custar, existe outra questão prática: qual carro você realmente receberá?

O que significa “carro ou similar”?

Ao pesquisar um carro para alugar na Espanha, é comum encontrar a fotografia de um modelo específico acompanhada da expressão “ou similar”.

Por exemplo, você pode encontrar um Renault Captur, Volkswagen T-Cross, Peugeot, Toyota ou outro modelo. No entanto, isso não significa necessariamente que aquele será exatamente o veículo entregue no balcão.

Normalmente, você está reservando uma categoria. Portanto, conforme a disponibilidade e as condições da reserva, a locadora poderá fornecer outro modelo considerado equivalente.

Esse detalhe se torna ainda mais importante para quem viaja em família ou com muita bagagem.

No meu caso, por exemplo, eu precisava acomodar quatro pessoas e três bagagens de cabine. Por isso, não bastava olhar a fotografia do veículo e gostar do modelo.

Antes de reservar, eu precisava considerar:

  • As malas realmente cabem no porta-malas?
  • Há espaço suficiente para todos viajarem confortavelmente?
  • A categoria escolhida atende às necessidades da viagem?

Além disso, evite planejar o trajeto contando com malas soltas junto aos passageiros. Afinal, além de prejudicar o conforto, objetos sem acomodação adequada podem representar um risco em uma frenagem ou colisão.

Portanto, ao encontrar “carro X ou similar”, preste mais atenção à categoria, ao espaço e às características necessárias para sua viagem do que ao modelo exibido na fotografia.

Depois de escolher uma categoria adequada, porém, ainda existe outro fator capaz de aumentar bastante o preço final: os extras oferecidos pela locadora.

Aluguei Carro Híbrido na Espanha, mas recebi outro modelo Carro

E foi justamente a expressão “ou similar” que acabou causando uma das minhas maiores frustrações nessa experiência.

Na verdade, minhas exigências eram relativamente simples. Eu precisava de espaço para quatro pessoas, uma mala de tecido e duas bagagens de mão. Porém, se pudesse escolher apenas uma característica do carro, eu queria que ele fosse híbrido.

Essa preferência surgiu durante minhas férias no Brasil. Em uma corrida de Uber, conversei com um motorista sobre carros híbridos e fiquei interessado em entender melhor como eles funcionavam.

Foi então que descobri que determinados veículos híbridos conseguem recuperar energia durante a condução, inclusive nas desacelerações e frenagens, sem precisar ser conectados a uma tomada como um carro totalmente elétrico ou um híbrido plug-in.

Por isso, quando comecei a pesquisar o aluguel de carro na Espanha, decidi procurar um modelo híbrido.

O carro híbrido que escolhi

Durante a pesquisa, encontrei um Renault Captur Auto Hybrid, ou similar. Além de ter o espaço que eu procurava, ele atendia justamente à característica que mais despertava meu interesse: era híbrido.

Por isso, fiquei bastante satisfeito com a escolha. Inclusive, tirei um print da oferta porque aquele era exatamente o tipo de carro que eu esperava dirigir durante a viagem.

Carro Híbrido escolhido pelo Alcaires
Carro Híbrido escolhido pelo Alcaires na Espanha

No entanto, como a própria oferta dizia “ou similar”, eu sabia que poderia receber outro modelo.

O que eu não esperava era que essa substituição também pudesse significar receber um veículo que nem sequer fosse híbrido.

E foi exatamente isso que aconteceu quando cheguei para retirar o carro.

O carro que recebi não era híbrido

Para minha surpresa, o veículo disponível no momento da retirada não era híbrido.

Eu entendia que poderia receber um modelo diferente do Renault Captur. Porém, imaginava que o veículo substituto manteria a característica que mais havia influenciado minha escolha: a motorização híbrida.

Na prática, isso não aconteceu.

Carro alugado na Espanha que não era híbrido
Carro que recebi para fazer minha viagem pela Espanha, diferente do modelo híbrido que aparecia na reserva.

Eu nem sabia identificar com certeza a marca e o modelo do carro que recebi. Por isso, se você reconhecer o veículo da foto, deixe um comentário. Além de matar minha curiosidade, sua resposta poderá ajudar outros leitores.

Essa experiência também mudou minha interpretação da expressão “ou similar”. Eu imaginava que “similar” significaria outro veículo com características muito próximas, inclusive híbrido. No entanto, a disponibilidade da locadora mostrou que eu não deveria presumir isso.

Por isso, se determinada característica for realmente importante para você, vale confirmá-la antes da retirada.

O conselho que recebi do funcionário da locadora

Cheguei a comentar minha frustração com o funcionário que me atendia. Então, ele me deu uma sugestão para uma próxima reserva.

Segundo ele, se eu quiser especificamente um carro híbrido, o melhor seria ligar antecipadamente para a loja, confirmar se existem veículos híbridos disponíveis e tentar reservar um deles.

Achei o conselho útil. Por outro lado, continuo pensando que seria muito mais claro para o cliente se existissem categorias como “SUV híbrido” ou outra classificação que garantisse essa característica, independentemente do modelo entregue.

Assim, se o Renault Captur não estivesse disponível, eu poderia receber outro modelo, mas ainda híbrido.

De qualquer forma, depois dessa experiência, eu faria uma pergunta antes de uma futura reserva:

“Si reservo este coche híbrido o similar, ¿el vehículo similar también será híbrido?”

“Se eu reservar este carro híbrido ou similar, o veículo similar também será híbrido?”

Portanto, se uma característica como câmbio automático, motorização híbrida, número de lugares ou espaço para bagagem for indispensável para sua viagem, não presuma que “ou similar” necessariamente a garante. Confirme com a locadora.

E, mesmo depois de escolher a categoria adequada, ainda existem outros detalhes capazes de aumentar o preço final da reserva. Entre eles estão os extras oferecidos pela locadora.

Cuidado com os extras da locadora

Outro ponto que pode aumentar bastante o preço final do aluguel são os extras.

À primeira vista, motorista adicional, cadeira infantil, GPS, assistência e proteções adicionais podem parecer baratos. No entanto, alguns desses serviços são cobrados por dia e, por isso, o valor acumulado pode surpreender.

Imagine, por exemplo, um extra de €10 por dia durante nove dias:

€10 × 9 = €90

Portanto, antes de adicionar qualquer serviço, verifique se a cobrança é diária ou por aluguel e calcule o custo para todo o período.

No meu caso, essa conta ficou ainda mais evidente porque sou pai de gêmeos — mellizos, como se diz em espanhol. Se eu precisasse pagar €10 por dia por uma cadeirinha ou assento de elevação para cada criança, o custo poderia chegar a:

€10 × 9 dias × 2 crianças = €180

Ou seja, dependendo da tarifa, somente esse extra poderia representar um valor próximo ao custo do próprio aluguel do carro.

Por isso, antes de concluir a reserva, vale analisar cada adicional separadamente. E alguns deles merecem ainda mais atenção.

Cadeira infantil e assento de elevação: alugar ou comprar?

No meu caso, encontrei uma solução que fazia muito mais sentido financeiramente: comprar os assentos de elevação.

Paguei aproximadamente €20 por cada um. Portanto, gastei cerca de €40 para os dois, em vez dos €180 que poderia gastar alugando-os durante nove dias.

Além disso, depois da viagem, os assentos continuaram sendo meus. Assim, se eu alugar outro carro futuramente e puder utilizá-los, não precisarei pagar novamente pelo mesmo extra.

Outra possibilidade é pesquisar empresas que alugam cadeirinhas e assentos de elevação separadamente. Eu mesmo já utilizei esse tipo de serviço e encontrei preços melhores do que os oferecidos por locadoras de veículos.

Por isso, vale comparar pelo menos três possibilidades: alugar com a locadora, alugar separadamente ou comprar.

Se você conhece alguma empresa que ofereça esse tipo de aluguel na Espanha, deixe sua experiência nos comentários. Dessa forma, podemos ajudar outros leitores e fortalecer nossa comunidade de viajantes e pessoas que falam espanhol.

Depois dos equipamentos para as crianças, existe outro extra que pode pesar na reserva: pagar para que uma segunda pessoa possa dirigir.

Motorista adicional

Se mais de uma pessoa pretende dirigir durante a viagem, verifique primeiro se o motorista adicional já está incluído na tarifa ou se haverá cobrança.

Esse detalhe, inclusive, fez parte da minha própria comparação. Uma das tarifas mais completas que analisei incluía um condutor adicional.

Portanto, esse benefício também precisava entrar na conta ao comparar aquela opção com uma tarifa aparentemente mais barata.

Em outras palavras, não compare apenas:

“Quanto custa o carro?”

Compare também:

“Quanto vou pagar pelo carro com tudo aquilo que realmente precisarei durante a viagem?”

Além disso, não permita que uma pessoa que não esteja autorizada conforme o contrato conduza o veículo. Afinal, as condições relacionadas aos motoristas autorizados podem ser relevantes em caso de acidente ou dano.

Depois de verificar os motoristas, ainda vale analisar outros serviços que podem aparecer durante a reserva.

GPS e outros extras

GPS, assistência e outros equipamentos ou serviços adicionais também podem aumentar o preço final.

Por isso, antes de adicionar qualquer extra, verifique:

  • se a cobrança é por dia ou por aluguel;
  • qual será o valor total durante toda a reserva;
  • se existe um limite máximo de cobrança;
  • se o serviço já está incluído em uma tarifa superior.

No caso do GPS, por exemplo, considere se você realmente precisa pagar pelo serviço ou se já possui uma opção de navegação adequada para utilizar durante a viagem.

Além disso, um valor diário aparentemente pequeno pode se tornar significativo depois de vários dias.

Portanto, não avalie um extra apenas pelo preço apresentado por dia. Calcule sempre quanto ele custará durante todo o período da reserva.

Porém, existe um adicional que merece atenção especial porque normalmente envolve valores maiores e decisões tomadas rapidamente: a proteção oferecida no balcão da locadora.

Seguros oferecidos no balcão

Esse é um momento em que eu teria atenção especial.

Depois de uma viagem, você pode chegar ao balcão cansado, talvez precisando se comunicar em outro idioma e querendo apenas pegar a chave do carro e seguir viagem. Nesse momento, podem ser oferecidas coberturas adicionais.

Isso não significa, porém, que essas proteções sejam desnecessárias ou que a locadora esteja tentando enganar você. O problema é contratar algo sem entender o que você já possui e o que realmente está sendo acrescentado.

Por isso, antes de aceitar, eu perguntaria:

  1. Qual é minha franquia atualmente?
  2. Quanto ela ficará depois dessa contratação?
  3. Quais danos passarão a ser cobertos?
  4. Pneus, rodas e vidros estão incluídos?
  5. Existe assistência ou reboque?
  6. Quanto ficará bloqueado no meu cartão?

Além disso, se possível, consulte as condições por escrito antes de decidir.

E, caso precise perguntar sobre o bloqueio no cartão, guarde esta frase em espanhol:

“¿Cuánto van a bloquear en mi tarjeta de crédito?”

“Quanto vocês vão bloquear no meu cartão de crédito?”

Depois de entender seguro e possíveis cobranças adicionais, ainda existe outra condição que merece ser confirmada antes de sair com o veículo: a política de combustível.

Política de combustível e bloqueio no cartão

A política de combustível também é um ponto importante no aluguel de carro na Espanha.

Durante minha pesquisa, por exemplo, encontrei uma condição que chamou minha atenção: além da caução de €1.200 relacionada ao veículo, a oferta informava a possibilidade de outro bloqueio no cartão referente ao combustível.

Portanto, eu não viajaria com exatamente €1.200 de limite disponível pensando que esse seria necessariamente o único valor bloqueado.

Dependendo da reserva, podem existir outras pré-autorizações.

Por isso, antes de retirar o carro, verifique:

  1. qual é a política de combustível;
  2. com qual nível o veículo deve ser devolvido;
  3. se existe bloqueio relacionado ao combustível;
  4. se haverá outras pré-autorizações;
  5. quanto de limite disponível poderá ser necessário no cartão.

No entanto, lembre-se de que essas condições variam conforme a locadora e a tarifa. O possível bloqueio adicional mencionado acima fazia parte especificamente da oferta que eu estava analisando.

Depois de esclarecer essas condições financeiras, chega finalmente o momento de receber o veículo. Porém, eu não sairia da locadora imediatamente.

O que fazer ao retirar o carro

Depois de assinar os documentos e receber as chaves, eu reservaria alguns minutos para verificar cuidadosamente o estado do veículo.

Afinal, antes de começar a viagem, é importante saber exatamente em quais condições o carro foi entregue.

Esse pequeno cuidado pode ajudar caso, posteriormente, exista alguma dúvida sobre um risco, amassado ou outro dano.

Por isso, eu faria três verificações antes de sair: registraria o veículo com fotos e vídeo, conferiria possíveis danos existentes e fotografaria o combustível e a quilometragem.

Fotografe e filme o veículo

Em primeiro lugar, eu faria um vídeo contínuo mostrando todo o carro.

Filmaria:

  1. frente;
  2. traseira;
  3. laterais;
  4. para-choques;
  5. rodas;
  6. pneus;
  7. vidros;
  8. interior.

Além disso, faria o registro com boa iluminação e de maneira que fosse possível identificar claramente o estado do veículo.

Depois, tiraria algumas fotografias individuais das áreas que merecessem atenção.

Assim, em vez de depender apenas da memória, você terá um registro visual das condições em que recebeu o carro.

No entanto, fotografar não é suficiente se você encontrar algum dano que ainda não esteja registrado pela locadora.

Confira danos existentes

Encontrou um risco? Fotografe.

Uma roda está marcada? Registre também.

Existe algum amassado ou alguma coisa quebrada no interior? Faça o mesmo.

Porém, não fique apenas com as imagens no celular.

Além de fotografar, confira se os danos identificados já estão registrados pela locadora. Caso encontre algo que não esteja documentado, procure um funcionário antes de sair e peça a confirmação.

Dessa forma, você reduz a possibilidade de surgir posteriormente uma dúvida sobre quando determinado dano ocorreu.

Depois de conferir a parte externa e interna, ainda falta registrar duas informações importantes que aparecem no painel.

Registre combustível e quilometragem

Antes de sair, fotografe também o painel do veículo.

Eu registraria principalmente:

  • a quilometragem;
  • o nível de combustível.

Assim, você terá mais um registro das condições em que recebeu o carro.

Além disso, confira se o nível de combustível corresponde ao informado na documentação ou no aplicativo da locadora e entenda como o veículo deverá ser devolvido.

Caso exista alguma divergência, tente resolvê-la antes de sair.

Depois disso, guarde as fotos e os vídeos. Afinal, esses registros serão ainda mais úteis se você repetir o mesmo procedimento no momento da devolução.

O que fazer ao devolver o carro

Na devolução, eu repetiria praticamente o mesmo processo realizado na retirada.

Primeiro, faria novamente fotos e um vídeo mostrando:

  • carroceria;
  • rodas e pneus;
  • vidros;
  • interior;
  • quilometragem;
  • nível de combustível.

Além disso, se possível, eu preferiria devolver o carro durante o horário de funcionamento da locadora, especialmente quando houver possibilidade de inspeção do veículo na minha presença.

Depois da devolução, guardaria os documentos, recibos, fotografias, vídeos e qualquer comprovante fornecido pela empresa.

Da mesma forma, não apagaria imediatamente as imagens feitas na retirada. Afinal, manter os registros de antes e depois ajuda a documentar o estado do veículo durante todo o período em que ele esteve sob sua responsabilidade.

Por fim, existe uma regra simples que eu seguiria independentemente do seguro contratado:

“Seguro bom não substitui cuidado.”

Portanto, mesmo com uma tarifa anunciada com franquia zero ou proteção ampliada, eu continuaria registrando o veículo na retirada e na devolução e respeitando todas as condições do contrato.

Minha experiência com aluguel de carro na Espanha

Depois de pesquisar diferentes opções de aluguel de carro na Espanha e comparar preços, franquias, cauções, seguros e condições, chegou a hora de tomar uma decisão.

E, à primeira vista, ela pode parecer contraditória: eu não escolhi a opção mais barata.

Como mostrei ao longo deste guia, comecei considerando uma oferta de €145,91. No entanto, depois de analisar tudo o que estava por trás daquele preço, minha decisão mudou.

Por isso, acabei pagando €266,67 por nove dias diretamente com a locadora, utilizando a tarifa ClickFull. Isso representou aproximadamente €29,63 por dia.

Mais do que comparar dois preços, porém, eu precisava decidir quanto estava disposto a pagar por condições que, para mim, tornariam a viagem em família mais tranquila.

A oferta de €145,91

A primeira oferta que encontrei por meio de uma plataforma intermediária custava aproximadamente €145,91.

Como vimos anteriormente, porém, o preço inicial não contava toda a história. Havia franquia e caução de €1.200, além de exclusões na cobertura básica.

Portanto, naquele momento, deixei de perguntar apenas:

“Quanto custa alugar esse carro?”

E passei a pensar:

“Quanto esse aluguel poderá me custar se acontecer algum imprevisto?”

Essa mudança de perspectiva foi fundamental para minha decisão.

Ainda assim, havia uma alternativa intermediária: adicionar uma proteção Premium àquela primeira oferta.

A opção com proteção por €206,93

Com a proteção Premium de aproximadamente €61,02, o valor passaria de €145,91 para:

€145,91 + €61,02 = €206,93

Como expliquei anteriormente, essa proteção funcionava principalmente por reembolso.

Por isso, embora a diferença de preço para a tarifa que escolhi já estivesse diminuindo, eu ainda precisava comparar não apenas os valores, mas também a forma como cada proteção funcionaria caso surgisse algum problema.

Isso não significa que a opção por reembolso fosse ruim. Pelo contrário, dependendo do perfil do viajante, ela poderia fazer bastante sentido.

No meu caso, porém, viajando com minha família, eu estava disposto a pagar um pouco mais para contratar diretamente com a locadora uma tarifa que atendesse melhor às minhas prioridades.

Foi assim que cheguei aos €266,67.

Por que escolhi pagar €266,67

Depois de comparar as alternativas, escolhi a tarifa ClickFull diretamente com a locadora.

No momento da minha reserva, ela informava:

  • franquia de €0;
  • cobertura para rodas e vidros;
  • assistência em estrada;
  • condutor adicional;
  • fila rápida;
  • 200 km por dia, limitados a 1.400 km no aluguel.

O valor total foi de €266,67 por nove dias.

Portanto, minha comparação final ficou assim:

Oferta inicial: €145,91
Intermediário + proteção: €206,93
Tarifa ClickFull escolhida: €266,67

Em relação à segunda opção, paguei €59,74 a mais. Dividindo pelos nove dias, a diferença foi de aproximadamente €6,64 por dia.

Foi então que a opção aparentemente mais cara começou a fazer sentido para mim.

Eu não estava pagando essa diferença apenas pelo carro. Na minha avaliação, estava pagando por um conjunto de condições que se ajustava melhor ao nível de risco e à praticidade que eu procurava para aquela viagem.

Além disso, como estava viajando com minha família, simplificar uma eventual situação problemática também tinha valor para mim.

Por isso, naquele momento e para o meu perfil, considerei que os €59,74 adicionais valiam a pena.

Minha escolha não precisa ser a sua

Ainda assim, eu não transformaria minha decisão em uma recomendação universal.

Outra pessoa poderia preferir economizar e aceitar uma franquia maior. Da mesma forma, alguém poderia ter uma cobertura adequada por outro meio ou considerar o seguro por reembolso uma relação entre preço e proteção mais interessante.

Portanto, não existe uma tarifa que seja necessariamente a melhor para todos.

O mais importante é entender exatamente o que você está contratando e comparar as opções de acordo com sua viagem, seu orçamento e o nível de risco que está disposto a assumir.

No meu caso, depois de analisar tudo isso, descobri que pagar menos pela reserva não era necessariamente o principal objetivo.

E essa foi provavelmente a maior lição que tirei de toda essa experiência.

O carro mais barato nem sempre é o aluguel mais barato

Essa foi provavelmente a principal conclusão que tirei de toda essa pesquisa.

No início, minha pergunta era simples:

“Qual é o carro mais barato que consigo alugar?”

Depois de analisar as condições, porém, passei a fazer outra pergunta:

“Qual opção oferece o melhor equilíbrio entre preço, cobertura, risco e tranquilidade para a minha viagem?”

Essa mudança fez toda a diferença.

À primeira vista, uma oferta de €145,91 pode parecer muito mais vantajosa do que outra de €266,67. No entanto, comparar apenas esses dois valores não mostra tudo o que existe por trás de cada tarifa.

Como vimos ao longo deste guia, franquia, caução, cobertura, exclusões, quilometragem, extras e até taxas para atravessar fronteiras podem alterar completamente essa comparação.

Por isso, antes de reservar, eu não perguntaria apenas:

“Quanto custa por dia?”

Em vez disso, perguntaria:

“Quanto essa viagem realmente poderá me custar e qual risco financeiro estou assumindo para conseguir esse preço?”

Foi justamente essa análise que me levou à tarifa de €266,67.

Portanto, eu paguei mais na reserva. Isso não significa, porém, que eu possa afirmar que economizei dinheiro. Para saber isso, seria necessário ocorrer alguma situação em que as diferenças de cobertura tivessem impacto financeiro.

Ainda assim, desde o início da viagem, consegui algo que também tinha valor para mim: condições que me deixavam mais confortável com o risco que estava assumindo.

E, depois de entender todas essas condições, existe ainda outro desafio para um brasileiro: conseguir conversar sobre elas em espanhol.

Por que saber espanhol ajuda ao alugar um carro na Espanha?

Durante todo esse processo, percebi que saber espanhol também pode fazer diferença na hora de alugar um carro na Espanha.

Afinal, nem todas as dúvidas aparecem durante a reserva pela internet. Algumas podem surgir somente no balcão, justamente quando você está prestes a retirar o veículo.

No meu caso, por exemplo, foi conversando com o funcionário que descobri como funcionaria a cobrança para atravessar a fronteira e também recebi a orientação de ligar antecipadamente caso, em uma próxima viagem, eu queira garantir a disponibilidade de um carro híbrido.

Além disso, existem situações em que você pode precisar perguntar sobre um bloqueio no cartão, esclarecer um dano encontrado no veículo ou simplesmente entender melhor uma condição explicada pelo funcionário.

Nesses momentos, conhecer espanhol deixa de ser apenas uma habilidade para conversar durante a viagem. Ele também pode ajudar você a fazer perguntas, compreender respostas e tomar decisões com mais segurança.

E existe outro detalhe interessante: o vocabulário utilizado pelas locadoras possui palavras que um brasileiro pode até reconhecer, mas não necessariamente compreender corretamente no contexto de um aluguel.

Por isso, em vez de transformar este guia em uma longa lista de palavras e frases, preparei um conteúdo específico para essa situação.

Nele, vamos aprender o espanhol necessário para reservar, retirar, utilizar e devolver um carro na Espanha — com vocabulário, perguntas e conversas que realmente podem acontecer durante uma viagem.

[LINK INTERNO FUTURO: Espanhol para Alugar Carro na Espanha: Vocabulário e Frases Essenciais]

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